sábado, 8 de abril de 2017

WALDIR RUEDA (1966-2011), historiador e memorialista



Waldir Rueda Martins foi um dos mais atuantes defensores da preservação do patrimônio histórico da Baixada Santista na última década. Paulistano, veio para o litoral ainda jovem, onde graduou-se em História. Era membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente e atuou como professor de história na rede estadual de ensino de Santos. Era também um dos editores mais atuantes do Novo Milênio, site digital no qual publicou precioso acervo de documentos escritos e iconográficos da Capitania e da história contemporânea de São da Vicente, bem como dos municípios que foram gerados a partir da vila colonial vicentina. Como muitos outros historiadores Waldir defendia a ideia de que a região deveria ser chamada de Baixada Vicentina e não santista, por causa da antiguidade e originalidade política da vila de São Vicente. 

Sobre a suas atividades culturais na cidade de Santos, o site da Fundação Memória de Santos reconheceu grande importância como agente memorialista, quando fez para essa instituição a doação do seu acervo pessoal de livros e documentos. 

“Notabilizou-se pelo tanto na pesquisa da memória regional, como na defesa de seu patrimônio histórico. Envolvia-se profundamente nos projetos que encetava, e utilizando-se do respeitável acervo de documentos e informações que acumulou desde a infância, divulgava-os amplamente através da mídia, conquistando quase sempre a simpatia popular e resultados surpreendentes”

E sobre a história santista, ressaltou:

“Dentre a extensa lista de realizações que Rueda levou a cabo nos seus 44 anos de vida, o livro ” Braz Cubas – Homenagem a uma vida “lançado em 2008, foi certamente a obra que deixou registrada toda a sua capacidade como pesquisador e historiador, resultado de mais de seis anos de investigação, busca em arquivos pelo Brasil e Portugal, e até escavações arqueológicas, sua primeira obra literária comprovou sua vocação e preencheu uma grande lacuna na história de Santos e região. Nos últimos meses de sua vida, Wlaldir Rueda estava trabalhando como coordenador de pesquisa da revista do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, o Almanaque de Santos”. 

No livro de ficção “Estação Amizade”, o autor Dalmo Duque dos Santos criou um personagem especialmente para homenagear o historiador, denominado “Waldir R.”, pesquisador misterioso que ajuda o protagonista da história a desvendar o caso de jovens estudantes perseguidos durante o regime militar e depois envolvidos numa trama internacional de espionagem.

Waldir Rueda faleceu em Santos, dia 21 de agosto de 2011, aos 44 anos de idade. 




segunda-feira, 3 de abril de 2017

Casa do Professor no Boa Vista


Casa do Professor na rua Onze de Junho esquina com rua Messia Assú. Colônia de Férias de Lazer da Liga do Professorado Católico de São Paulo. A entidade está reconstruindo sua memória na cidade por meio de fotografias e arquivos, segundo informa a Professora Flávia Fiore, da equipe de historiadores e educadores do LPC. O grupo já protocolou no Condephasv requerimento solicitando estudo de tombamento da sede da entidade no bairro Boa Vista.


Casa do Professor, frontal na rua Onze de Junho, em 1944. A placa informa obras da Construtora Polydoro Bitencourt & G.L. Acervo: Liga do Professorado Católico de São Paulo.


Casa do Professor, lateral na rua Messia Assú, em 1944. Acervo: Liga do Professorado Católico de São Paulo.


Diretores da Liga do Professorado Católico com autoridade clerical nos anos 1960. Acervo: LPC São Paulo

Café na Casa do Professor. Boa Vista. Anos 1960. Acervo: Liga do Professorado Católico de São Paulo.


Diretoria da Liga do Professorado Católico em visita a São Vicente, 1966. Acervo: LPC São Paulo.



ONTEM E HOJE

domingo, 22 de janeiro de 2017

Pindorama vicentina e os degredados


Querendo saber o motivo de tantas lutas e derramamento de sangue na Europa do século XV, Jesus ouviu de um dos seus assessores que, apesar de tudo, os movimentos bélicos despertariam novas atividades humanas e também iria proteger os lugares sagrados, da época da sua estada na Terra. E o Mestre questionou: "Mas qual lugar na Terra não é sagrado, Helil"?

E foram conhecer a América, da qual lhe falara o seu entusiástico preposto, sobre a tão sonhada renovação do planeta.

"E onde fica a região onde meu coração indica novas lutas intimas e muitas esperanças para os que sofrem na Terra"? Perguntou Jesus.

Helil respondeu prontamente: "Senhor, este lugar fica mais para o Sul".

E vendo a magnitude pura da natureza e a simplicidade dos silvícolas que ali viviam, Jesus ordenou: "Para essa terra será transplantada a árvore do meu Evangelho. Virão para cá as almas simples e laboriosas da Europa e também as que já fortaleceram o coração na senda das provações e hoje labutam nas lutas tribais do contingente africano.

E tu, Helil, te corporificarás entre os lusitanos, antigos fenícios, para que inicie sob seu comando as conquistas a que estão destinados e também os compromissos que doravante devem desempenhar no mundo. Os degradados, com suas dores profundas da solidão e do desterro, serão os primeiros convocados"

Adaptado de Chico Xavier-Humberto de Campos. Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho.

sábado, 21 de janeiro de 2017

As vilas da Capitania de São Vicente - Séculos 16 ao 18





Em fins do século XVIII, a Capitania de São Vicente englobava o atual estado do Paraná, parte de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, apresentando um conjunto de cerca de 34 núcleos elevados à categoria de vila e uma cidade.

1532 - São Vicente 

1545 - Vila Porto de Santos

1560 -  São Paulo dos Campos de Piratininga (cidade-1711)

1561 - N.S. da Conceição de Itanhaém

1577 - N.S. das Neves de Iguape

1600 - São João Batista de Cananéia

1611 - Santana de Mogymirim ( Mogi das Cruzes)

1625 - Santana de Parnaíba

1636 - São Sebastião

1637 - Exaltação da Santa Cruz do Salvador de Ubatuba

1645 - São Francisco das Chagas de Taubaté

1653 - N.S. da Conceição do Paraíba (Jacareí)

1649 - N.S. do Rosário de Paranaguá

1651 - Santo Antônio de Guaratinguetá

1655 - N.S. do Desterro do Campo Alegre de Jundiaí

1657 - N.S. da Candelária do Utu Guaçu (Itu)

1661 - N.S. da Ponte de Sorocaba

1693 - N.S. da Luz dos Pinhais de Curitiba

1705 - N.S. do Bom Sucesso de Pindamonhangaba

1767 - São José do Paraíba (São José dos Campos)

1769 - Itapeva da Faxina , São João Batista do Atibaia , São José do Mogymirim.

1770 - Sabaúna

1771 - N.S. dos Prazeres de Itapetininga, Santo Antônio das Minas do Apiaí ,Vila Nova de São Luis de Guaratuba

1774 - N.S. dos Prazeres de Lages (SC)

1785 - Cunha (antiga Freguesia do Facão)

1788 - N.S. da Piedade de Lorena

1797 - São Carlos (antiga Freguesia de N.S. da Conceição das Campinas do Mato Grosso de Jundiaí (Campinas) , Porto Feliz (antiga Freguesia de Araritaguabai) , Nova Bragança ( Bragança Paulista)
Antonina (Paraná)

1798 - Castro (antiga Freguesia de Santa Ana do Ipó –Paraná)


FONTE: Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno. Dilatação dos confins: caminhos, vilas e cidades na formação da Capitania de São Paulo (1532-1822)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Topographia da Vila de São Vicente por Benedito Calixto




TOPOGRAPHIA DA VILLA DE SÃO VICENTE DE 1852. ORGANIZADA POR BENEDITO CALIXTO. Baia de São Vicente as modificações que nella se tem operado desde a época da fundação da primitiva villa. 

BAÍA DE SÃO VICENTE: Margem do Canal em 1532; Margem da Barra do Norte em 1624.

I. Morros de Paranapuam, Prainha, Caminho e Praia de Paranapuam; Fortalezinha; Ruínas do Porto das Naus e Engenho de Jerônimo Leitão; Local da antiga Igreja de Nossa Senhora; Prainha.
II. Morro do Barbosas: Caminho do Porto; Porto Tumiaru; Chácara; Caminho dos Barreiros; Morrinho; Rio Sapateiro; Biquinha; Praia de São Vicente; Local onde existia a primitiva vila destruída pela maré em 1542.
III. Vila: Igreja Matriz e adro(1); Casa da Câmara e Cadeia(2); Pelourinho(3); Casa de Dona Mafalda(4); Casa do Capitão-Mor Aguiar (5); Casa de João Marcelino(6); Casa de Dona Sebastiana (7); Local Antiga Igreja de Santo Antonio (8); Local do Primitivo Collégio dos Jesuítas; Bica dos Padres (10); Casa do Martim Afonso(11). Caminho que passava pela Capela de São Jorge dos Erasmos fraldeando os morros do Sabooó até Chácara da Philosofia.
IV. Antigo Caminho para Santos. Este caminho passava pelo Voturuá; pelo Engenho de São Jorge dos Erasmos, subia pelo morro do mesmo nome descendo perto do Mosteiro de São Bento.
V. Praia do Itararé; Antiga Ilha do Sol, depois Ilha do Mudo e hoje Ilha Porchat; Morro do Itararé; Rio Itararé Pedra dos Ladrões.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

domingo, 19 de junho de 2016

Mar Pequeno nos anos 1960


Ponte Pênsil e Mar Pequeno antes da construção da ponte e da formação da favela do México 70. Acervo: Historiador PG (Claudio Sterque).

sábado, 11 de junho de 2016

terça-feira, 7 de junho de 2016

Ponte Pênsil e Biquinha. Bico de Pena. Coluna de gastronomia na Folha de São Paulo





Praça Barão do Rio Branco nos anos 1970.


Casa modernista na Praça da Bandeira



São Vicente por Benedito Calixto


Praia de Itaquitanduva,


Praia da Biquinha. Pedras do futuro Marco.


Praia do Itararé. Riacho, Pedra da Feiticeira e ilha Urubuqueçaba.


Ponte Pênsil, lado ilha, Morro dos Barbosas


Ponte Pênsil, lado continente, Japui


Praias do Itararé e José Menino


Morro, Praia do Itararé  e trilho do bonde.


Casa de veraneio na Praia do Itararé.


Praias do José Menino e Itararé. Ilha Urubuqueçaba.


Morro dos Barbosas e a fundo a Baía de São Vicente. Abaixo, Morro dos Barbosa e caminho para o porto da Naus

quinta-feira, 2 de junho de 2016

São Vicente por Boris Kauffmann, década de 1950


Veranistas navegando no Gozaguinha e ao fundo a Ponte Pênsil.



O bairro Boa Vista entras as praias do Itararé e Milionários. Ao fundo a Ilha Porchat.




Praia do Gonzaguinha, esquina da Embaixador Pedro de Toledo com Frei Gaspar.



Orla do Gonzaguinha e a fundo a ilha Porchat.



Acervo:Berenice Kauffmann Abud

terça-feira, 15 de março de 2016

Defesa do porto e das baías de Santos e São Vicente


Em 1895 o Exército Brasileiro empreendeu um projeto de defesa do porto e das baías de Santos e São Vicente . Fonte: Memoria Santista.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Projeto abortado.



SÃO VICENTE E OS BELÍSSIMOS JARDINS DE ORLA QUE NÃO SAÍRAM DO PAPEL

Abrindo uma exceção aqui no Memória Santista, vamos falar de um projeto de nossa querida cidade vizinha que, infelizmente, foi engavetado nos anos 1940. Ele teria tornado a orla vicentina uma das mais belas do país. Publicado na Revista Flamma, de janeiro de 1945, anunciava-se na ocasião do 413º aniversário de São Vicente, um plano urbanístico de caráter ímpar (veja projeto no post), que seria executado na gestão do então prefeito Polidoro de Oliveira Bittencourt. Leia o trecho da Flamma em que é citado:

"O AJARDINAMENTO DAS PRAIAS

O ajardinamento das praias tem sido uma das preocupações do atual prefeito, que já modernizou jardins e praças da velha cidade, procurando de tal forma torna-la mais atraente.
O projeto de ajardinamento das praias é uma concepção arrojada, mas necessária em face do desenvolvimento da cidade, dia a dia assinalado com a construção de belos prédios.
Com esses melhoramentos prestará o Sr. Polidoro Bittencourt, a São Vicente, um inestimável serviço, que se tornará realidade dentro em breve."

SQN


NOTA DO BLOG

Sobre isso opinamos na página Memória Santista no Facebook que o município de São Vicente ou parte do centro histórico  deveria ser transformado num Distrito Estadual, administrado diretamente pelo governo do Estado, para garantir a preservação do seu patrimônio histórico e geográfico.

domingo, 4 de outubro de 2015

Mapa da Ilha de São Vicente



MAPA DA ILHA DE SÃO VICENTE EM 1887 - CARTA DA PROVÍNCIA DE SÃO PAULO.

"A cidade se restringia praticamente ao atual Centro Histórico. Poucas eram as construções na região da orla. São Vicente era distante e ligada por uma linha de bonde de tração animal. Já existia a Estrada de Ferro Ingleza (São Paulo Railway). O Porto moderno ainda não havia sido construído".

Fonte: Memoria Santista.

Obs. do blog:  A cidade de São Vicente também estava restrita ao centro histórico. A Ilha Porchat ainda era ilha; e o morro do Itararé era denominado "Serra do Itararé".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Brigas de família na Capitania.



No suplemento especial de A Tribuna de hoje (20/01) uma curiosa matéria relatando os bastidores da luta política entre a tradição vicentina e a modernidade praiagrandense no longo episódio da emancipação nos anos 60. Os deputados Esmeraldo Tarquínio (nascido em São Vicente e radicado em Santos) e Olavo Horneux de Moura foram os defensores da conservação vicentina. Tarquinio denunciava em 1963 que a emancipação atendia somente os interesses da construtora Andraus, dona do empreendimento Cidade Ocian. São Vicente perderia Praia Grande após uma longa batalha judicial, incluindo um veto do então governador Ademar de Barros. Com o advento do regime militar em 1964 (não abordado no texto), veranistas e moradores influentes acabaram pressionando para que houvesse a separação definitiva em 1967.

PS. Nenhuma fonte foi citada pelo autor da matéria. Para saber mais: site Novo Milênio.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

São Vicente nos anos 70 e 80

 
 

Professoras e alunos do jardim da Escolinha Cinderela em 1978. O antigo sobrado tinha um formato arquitetônico que lembrava um castelo, daí o apelido castelinho pelo qual escolinha também era conhecida naquela época. A Escolinha Cinderela ficava na esquina da rua Uberaba com a Avenida Prefeito José Monteiro onde hoje funciona a creche Vovó Lacerda. 
 

 
 
 
 
 
Rua Uberaba: o sobradinho número 20 serviu como nossa primeira moradia; rua Rio de Janeiro: as casas vizinhas de número 280 e 294 onde moramos de 1975 a 1984;  o conjunto residencial dos militares na rua Rio de Janeiro; e o Carrefour, construído no terre da antiga pedreira do Itararé.
 
 
Em 1974 a vida urbana vicentina ainda se concentrava nos bairros antigos próximos ao centro (no ângulo formado pela rua Frei Gaspar e avenida Capitão-Mor Aguiar) e nas periferias que ainda não haviam sido cortadas pelas alças de acesso à futura rodovia dos Imigrantes (Bitaru, Vila Margarida, Jockey Club, Catiapoã, Golf Club, Beira Mar, Esplanada dos Barreiros e os diques e favelas).  O acesso a Praia Grande era demorado e feito exclusivamente pela Ponte Pênsil. A Cidade Náutica era apenas um extenso loteamento de terrenos com poucas casas em construção no final da longa e velha rua Frei Gaspar. A área continental era praticamente desabitada, havendo apenas acesso por trem pela ponte do Barreiros em direção ao então bairro rural do Samaritá. A linha ferroviária, bem distante da orla, seguia pela mata até atingir a estação do longínquo bairro Flórida em direção a Mongaguá, Itanhaém e Peruibe.  Os bairros próximos dos morros do Voturuá e Itararé eram muito modestos, sem rede de esgoto e calçamento. A Vila São Jorge, após a rua Anita Costa (esta era calçada com blocos pedra), era toda de terra e com esgoto a céu aberto.   A avenida prefeito José Monteiro, que divide a Vila Valença e o Jardim Independência, era uma rua larga de terra e pedregulhos. O calçamento e o esgoto só viriam no início da década de 1980.  No entorno dos cruzamentos das ruas Uberaba e Monteiro Lobato (canal) haviam apenas alguns estabelecimentos, os mais frequentados nos dois bairros: três padarias; o bar que hoje é o restaurante Itabaiana; uma fábrica e loja de calçados; a Market (tintas, ferragens e construção), a quintanda do Mundinho na rua Pedro Álvares Cabral; a Casa da Madrinha (perto da Igreja N.S. das Graças); a banca de jornais da Dona Esperança e o mercadinho Primo, no canal. Na direção do Itararé só haviam as pedreiras; e subindo em direção em direção à Vila Melo, o pequeno centrinho comercial na confluência com a Antonio Emerick e Anita Costa, onde tinham com destaques o supermecado Pão de Açúcar e o Cine Petrópolis. Esses dois bairros próximos das praias do Gonzaguinha e do Itararé atraíam muitos moradores de São Paulo e Santos pelos baixos custos dos imóveis e dos aluguéis. Essa demanda estimulava a construção constante de novas casas, prédios pequenos e sobrados.  
 

Caminhando na Rua Monteiro Lobato em direção à linha do trem (Zé Carlos Názara. 1983)


Meninos na rua Rio de Janeiro. (Dalmo Duque dos Santos, 1982).