sexta-feira, 15 de julho de 2016

domingo, 19 de junho de 2016

Mar Pequeno nos anos 1960


Ponte Pênsil e Mar Pequeno antes da construção da ponte e da formação da favela do México 70. Acervo: Historiador PG (Claudio Sterque).

sábado, 11 de junho de 2016

terça-feira, 7 de junho de 2016

Ponte Pênsil e Biquinha. Bico de Pena. Coluna de gastronomia na Folha de São Paulo





Praça Barão do Rio Branco nos anos 1970.


Casa modernista na Praça da Bandeira



São Vicente por Benedito Calixto


Praia de Itaquitanduva,


Praia da Biquinha. Pedras do futuro Marco.


Praia do Itararé. Riacho, Pedra da Feiticeira e ilha Urubuqueçaba.


Ponte Pênsil, lado ilha, Morro dos Barbosas


Ponte Pênsil, lado continente, Japui


Praias do Itararé e José Menino


Morro, Praia do Itararé  e trilho do bonde.


Casa de veraneio na Praia do Itararé.


Praias do José Menino e Itararé. Ilha Urubuqueçaba.


Morro dos Barbosas e a fundo a Baía de São Vicente. Abaixo, Morro dos Barbosa e caminho para o porto da Naus

quinta-feira, 2 de junho de 2016

São Vicente por Boris Kauffmann, década de 1950


Veranistas navegando no Gozaguinha e ao fundo a Ponte Pênsil.



O bairro Boa Vista entras as praias do Itararé e Milionários. Ao fundo a Ilha Porchat.




Praia do Gonzaguinha, esquina da Embaixador Pedro de Toledo com Frei Gaspar.



Orla do Gonzaguinha e a fundo a ilha Porchat.



Acervo:Berenice Kauffmann Abud

terça-feira, 15 de março de 2016

Defesa do porto e das baías de Santos e São Vicente


Em 1895 o Exército Brasileiro empreendeu um projeto de defesa do porto e das baías de Santos e São Vicente . Fonte: Memoria Santista.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Projeto abortado.



SÃO VICENTE E OS BELÍSSIMOS JARDINS DE ORLA QUE NÃO SAÍRAM DO PAPEL

Abrindo uma exceção aqui no Memória Santista, vamos falar de um projeto de nossa querida cidade vizinha que, infelizmente, foi engavetado nos anos 1940. Ele teria tornado a orla vicentina uma das mais belas do país. Publicado na Revista Flamma, de janeiro de 1945, anunciava-se na ocasião do 413º aniversário de São Vicente, um plano urbanístico de caráter ímpar (veja projeto no post), que seria executado na gestão do então prefeito Polidoro de Oliveira Bittencourt. Leia o trecho da Flamma em que é citado:

"O AJARDINAMENTO DAS PRAIAS

O ajardinamento das praias tem sido uma das preocupações do atual prefeito, que já modernizou jardins e praças da velha cidade, procurando de tal forma torna-la mais atraente.
O projeto de ajardinamento das praias é uma concepção arrojada, mas necessária em face do desenvolvimento da cidade, dia a dia assinalado com a construção de belos prédios.
Com esses melhoramentos prestará o Sr. Polidoro Bittencourt, a São Vicente, um inestimável serviço, que se tornará realidade dentro em breve."

SQN


NOTA DO BLOG

Sobre isso opinamos na página Memória Santista no Facebook que o município de São Vicente ou parte do centro histórico  deveria ser transformado num Distrito Estadual, administrado diretamente pelo governo do Estado, para garantir a preservação do seu patrimônio histórico e geográfico.

domingo, 4 de outubro de 2015

Mapa da Ilha de São Vicente



MAPA DA ILHA DE SÃO VICENTE EM 1887 - CARTA DA PROVÍNCIA DE SÃO PAULO.

"A cidade se restringia praticamente ao atual Centro Histórico. Poucas eram as construções na região da orla. São Vicente era distante e ligada por uma linha de bonde de tração animal. Já existia a Estrada de Ferro Ingleza (São Paulo Railway). O Porto moderno ainda não havia sido construído".

Fonte: Memoria Santista.

Obs. do blog:  A cidade de São Vicente também estava restrita ao centro histórico. A Ilha Porchat ainda era ilha; e o morro do Itararé era denominado "Serra do Itararé".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Brigas de família na Capitania.



No suplemento especial de A Tribuna de hoje (20/01) uma curiosa matéria relatando os bastidores da luta política entre a tradição vicentina e a modernidade praiagrandense no longo episódio da emancipação nos anos 60. Os deputados Esmeraldo Tarquínio (nascido em São Vicente e radicado em Santos) e Olavo Horneux de Moura foram os defensores da conservação vicentina. Tarquinio denunciava em 1963 que a emancipação atendia somente os interesses da construtora Andraus, dona do empreendimento Cidade Ocian. São Vicente perderia Praia Grande após uma longa batalha judicial, incluindo um veto do então governador Ademar de Barros. Com o advento do regime militar em 1964 (não abordado no texto), veranistas e moradores influentes acabaram pressionando para que houvesse a separação definitiva em 1967.

PS. Nenhuma fonte foi citada pelo autor da matéria. Para saber mais: site Novo Milênio.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

São Vicente nos anos 70 e 80

 
 

Professoras e alunos do jardim da Escolinha Cinderela em 1978. O antigo sobrado tinha um formato arquitetônico que lembrava um castelo, daí o apelido castelinho pelo qual escolinha também era conhecida naquela época. A Escolinha Cinderela ficava na esquina da rua Uberaba com a Avenida Prefeito José Monteiro onde hoje funciona a creche Vovó Lacerda. 
 

 
 
 
 
 
Rua Uberaba: o sobradinho número 20 serviu como nossa primeira moradia; rua Rio de Janeiro: as casas vizinhas de número 280 e 294 onde moramos de 1975 a 1984;  o conjunto residencial dos militares na rua Rio de Janeiro; e o Carrefour, construído no terre da antiga pedreira do Itararé.
 
 
Em 1974 a vida urbana vicentina ainda se concentrava nos bairros antigos próximos ao centro (no ângulo formado pela rua Frei Gaspar e avenida Capitão-Mor Aguiar) e nas periferias que ainda não haviam sido cortadas pelas alças de acesso à futura rodovia dos Imigrantes (Bitaru, Vila Margarida, Jockey Club, Catiapoã, Golf Club, Beira Mar, Esplanada dos Barreiros e os diques e favelas).  O acesso a Praia Grande era demorado e feito exclusivamente pela Ponte Pênsil. A Cidade Náutica era apenas um extenso loteamento de terrenos com poucas casas em construção no final da longa e velha rua Frei Gaspar. A área continental era praticamente desabitada, havendo apenas acesso por trem pela ponte do Barreiros em direção ao então bairro rural do Samaritá. A linha ferroviária, bem distante da orla, seguia pela mata até atingir a estação do longínquo bairro Flórida em direção a Mongaguá, Itanhaém e Peruibe.  Os bairros próximos dos morros do Voturuá e Itararé eram muito modestos, sem rede de esgoto e calçamento. A Vila São Jorge, após a rua Anita Costa (esta era calçada com blocos pedra), era toda de terra e com esgoto a céu aberto.   A avenida prefeito José Monteiro, que divide a Vila Valença e o Jardim Independência, era uma rua larga de terra e pedregulhos. O calçamento e o esgoto só viriam no início da década de 1980.  No entorno dos cruzamentos das ruas Uberaba e Monteiro Lobato (canal) haviam apenas alguns estabelecimentos, os mais frequentados nos dois bairros: três padarias; o bar que hoje é o restaurante Itabaiana; uma fábrica e loja de calçados; a Market (tintas, ferragens e construção), a quintanda do Mundinho na rua Pedro Álvares Cabral; a Casa da Madrinha (perto da Igreja N.S. das Graças); a banca de jornais da Dona Esperança e o mercadinho Primo, no canal. Na direção do Itararé só haviam as pedreiras; e subindo em direção em direção à Vila Melo, o pequeno centrinho comercial na confluência com a Antonio Emerick e Anita Costa, onde tinham com destaques o supermecado Pão de Açúcar e o Cine Petrópolis. Esses dois bairros próximos das praias do Gonzaguinha e do Itararé atraíam muitos moradores de São Paulo e Santos pelos baixos custos dos imóveis e dos aluguéis. Essa demanda estimulava a construção constante de novas casas, prédios pequenos e sobrados.  
 

Caminhando na Rua Monteiro Lobato em direção à linha do trem (Zé Carlos Názara. 1983)


Meninos na rua Rio de Janeiro. (Dalmo Duque dos Santos, 1982).

 

Vila São Jorge, Jardim Independência, Vila Valença

 
Avenida Prefeito José Monteiro com a ruas Niterói e Monteiro Lobato; cruzamento das ruas Rio de Janeiro com a Uberaba e Monteiro Lobato. Google: 2011.
 
Tínhamos vizinhos excelentes, morávamos num bairro simples, porém muito próximo das duas principais praias de São de São Vicente: o Gonzaguinha e o Itararé, ainda relativamente limpas e não tão poluídas como hoje. Próximo aos dois morros havia bicas, onde os moradores tinham o hábito de encher garrafões, pois a água encanada tinha um gosto horrível.   Tirando a vida escolar, morar no litoral era diversão praticamente o ano todos, antes que chegassem os compromissos da vida adulta. Em todas a estações do ano as praias eram, como hoje, frequentadas por turistas em férias ou de finais de semana, só alterando a rotina nos meses de verão. São Vicente ainda vivia seus dias de moda praiana e era bem frequentada tanto pelos pelos paulistanos quanto pelso santistas que buscavam um tipo de praia mais aberta e espaçosa. O bairro do Boa Vista também vivia dias de glamour das mansões antigas e edifícios novos que brilhavam nos melhores catálogos imobiliários da região. A Ilha Porchat ainda era o point dos ricos moradores do planalto paulista e da Borda do Campo, bem como da pequena elite vicentina, com a sua localização espetacular no canto do Itaráré e passagem para a pequena e chic Praia dos Milionários. Na ilha tinha, além do clube de praia, dois ou três grandes edifícios, muitas mansões e as famosas boates e choperias, todas com vista para a orla vicentina e santista, bem como para o Atlántico.  Também na larga avenida Presidente Wilson, que dá acesso do Itararé ao centro, hoje forrada de prédios de muitos andares, ainda havia muitas casas e mansões de ricos veranistas. Indo pelo Itararé em direção a Santos ainda se encontrava, entre a linha do trem (hoje VLT) e a praia, muitas casas de férias, incluindo a que durante muitos anos funcionou talvez o mais famoso surf-shop do litoral: a Twin, griffe de pranchas, skates, acessórios e roupas consumidas por todos os jovens que pretendiam ingressar no universo dos esportes radicais californianos e também do cultuadíssimo Hawai. Anos depois a Twin mudou-se para o bairro de Moema, na Capital.  No final dos anos 70 e início dos anos 80 – como uma evidente influência de costumes do Rio de Janeiro - o surf, o skate, o rock beach e cabelo loiro parafinado seria a moda mais forte e significativa da juventude do litoral paulista e dos milhares de paulistanos que desciam a serra para aprender esse novo estilo de vida. As praias de Santos, de areia cinza e dura, nunca foram apropriadas para pegar ondas e o Guarujá não era de fácil acesso, por causa das balsas e da longa distância distância do centro até as praias. Nessa época a Praia Grande, recém emancipada de São Vicente, também era muito distante e frequentada preferencialmente pelos moradores do ABC e o povão das muitas periferias de São Paulo. Restava então, para surfistas e os vaga-beach de Santos e São Vicente, a enorme, meio selvagem e deserta praia do Itararé que, dependendo do dia e da lua, produzia boas ondas e muita curtição na areia. Poucos eram os praticantes do surf, porém muitos se vestiam e viviam a vida como eles.  
    Nessa época já estava em início de construção o Emissário Submarino de esgoto, vizinho ao Orquidário e na praia do José Menino, em Santos. Alguns anos mais tarde, quando o modismo surfista passou, passamos a frequentar e acampar nas belíssimas e realmente selvagens praias do litoral Norte, principalmente Barra do Saí e Boissucanga.

Estávamos nos preparando para uma segunda etapa de mudanças. 
Na década seguinte – entre 1984 e 1990, iriamos com a família para São Paulo, para complementar essa importante fase de transformações.



Copa do Mundo de 1982 e crianças da rua Rio de Janeiro, no Jardim Independência. Dalmo Duque dos Santos. 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

A Barra de Santos

Vista aérea das ilhas de São Vicente e Santo Amaro, divididas pelo canal do porto de Santos.  Em baixo  Vicente de Carvalho (Guarujá) e em cima o litoral sul.


A entrada que dá acesso ao porto de Santos é uma das mais belas e curiosas paisagens do litoral paulista. É um enorme canal entre as ilhas de São Vicente e Santo Amaro, separando Santos e o Itapema-Pouca Farinha, antigos bairros de operários da indústria naval e pescadores do Guarujá. Os habitantes e trabalhadores que moram nessas cidades talvez nem tenham um olhar imaginário sobre essa parte da vida urbana, já que, para a maioria deles, trata-se apenas de uma rotina do dia a dia da cidade. 
 
Entre a ponta da praia santista - que fica na ilha vicentina - e a barra do forte, localizada em Santo Amaro, passam todos os dias centenas de embarcações que atravessam o canal ou que entram e saem do grande porto. Em qualquer hora do dia ou da noite, este é sempre um lugar fascinante e que desperta no observador inúmeras impressões, quase sempre cheias de imaginação seguidas de sensações e lembranças.  Ao ficar por uma ou duas horas no calçadão da barra santista é possível ver e admirar essa deslumbrante rotina do cotidiano portuário. Primeiramente o cheiro de mar, que ali é sempre mais forte por causa da concentração de detritos de frutos mar, somada à poluição química dos líquidos combustíveis que alimentam os motores dos barcos. E depois a movimentação de aves da fauna marítima em busca de alimentos. Elas sempre dão um tom musical da natureza resistente e que recusa desaparecer diante dos avanços humanos sobre esse braço de mar.
 
Muito mais interessante é poder ver o que acontece no entorno do canal vendo pelo outro lado da barra, o que não muito comum para os frequentadores do lado santista. Enquanto isso, em apenas alguns minutos, é possível ver e gravar para sempre na memória as imagens de uma pequena catraia transportando rapidamente passageiros de um lado para outro; a balsa que leva e traz os carros; os rebocadores de apoio de embarque, dezenas de barcos de pesca e as raras lanchas que levam os pilotos práticos até os grandes navios que aguardam na baía a ordem de entrada e atracação no cais.  As pessoas que ali ficam por alguns momentos parecem estar entorpecidas pela memória e pela introspecção, talvez imaginando de onde vieram e para onde vão todos aqueles navios abarrotados de cargas, que antigamente eram cobertas de lona e hoje embaladas em grandes caixas metálicas. 

domingo, 18 de maio de 2014

Passeios e cinemas do Gonzaga


O bairro do Gonzaga na década de 1980 
 
Na metade da década de 1970, haviam apenas três cinemas em São Vicente: o Cine  Petrópolis (na avenida Antonio Emerick, lado do Cascatinha), o Cinemar (na rua Benjamim Constant, em frente ao Clube Tumiarú) e o Cine Jangada, um pouco mais sofisticado (na rua Martim Afonso, no centro). Nesse último vimos, entre 1975 e 1976, o lançamento de Dona Flor e seus Dois Maridos, Tubarão e também  a peça O Santo Inquérito, de Dias Gomes, em monólogo com Regina Duarte. Um dos meus meus colegas de escola e praia - o Chico - era filho do gerente do Petrópolis e do Jangada, nos quais sempre tínhamos entrada franca.  Essas eram as únicas opções de diversão noturna em São Vicente, o que nos levava a buscar as atrações de Santos, especificamente no Gonzaga, antigo bairro balneário de casarões de milionários e hotéis de luxo. Alí era, nos anos 70, o verdadeiro esplendor de consumo e footing para jovens e adultos, local sempre muito movimentado e de muitas novidades, vitrines, luminosos, barulho de carros e motos durante a noite e na madrugada. Nas calçadas, largas e sempre limpas, sempre havia oferta de artesanato hippie e pinturas em quadros, de todos os estilos.

Cortado pela centenária avenida Ana Costa, o Gonzaga tinha como destaque a praça Independência  em torno da qual se concentrava inúmeros estabelecimentos: restaurantes especializados, rodízios de pizza, lanchonetes e casas de sucos e vitaminas, sorveterias, farmácias,  grande lojas de sapatos,  roupas e acessórios; galerias com muitas lojinhas da moda e de discos, boutiques de luxo, duas livrarias muitos frequentadas (Martins Fontes e Siciliano) e principalmente os cinemas, cuja frequência era altíssima nos finais de semana.

Durante o dia, como hoje, o Gonzaga funcionava como um centro de serviços (consultórios, bancos, escritórios); era também o bairro dos solteiros, pois havia muitos prédios com apartamentos pequenos e de temporada. Eu mesmo morei sozinho durante um ano (1985) na rua Pereira Barreto, em frente ao atual Shopping e Hotel Miramar. Fazia minhas refeições, pasmem, numa loja da Drogaria São Paulo, na rua Floriano Peixoto (um precursora das lojas de conveniência), que também era restaurante. 

 Durante a noite o bairro sofria uma transformação espetacular tornando-se uma vitrine frequentada por um multidão de pederestres, sempre muito bem vestidos. De todas as atividades comerciais, a que mais representava esse espírito da diversão e do passeio noturno no Gonzaga era o cinema, que servia, por exemplo, para demarcar o tempo de permanência dos que buscavam o bairro nos fins-de-semana.  As sessões tanto poderiam ser o início, o meio quanto o fim da jornada de lazer e diversões, dependendo das características e das intenções das centenas pessoas que ali passavam.

As salas de cinema do Gonzaga variavam de tamanho e gosto pelos filmes ofertados: as maiores para as películas comerciais e a menores para os filmes de arte. Muitos deles faziam sessões de pré-estreia à meia noite de sexta-feira. Mas o ponto alto eram as noites de sábado, quando o bairro era invadido pelas multidões desde o período da manhã e tarde, para fazer compras; e à noite, para os passeios de costume. Contando da praia do Gonzaga em direção ao centro, existiam na avenida Ana Costa os seguintes cinemas: Atlântico I e II (Hoje lojas C&A, Mc Donald e Americanas, próximos ao bulevard da rua Othon Feliciano); Iporanga I e II (salas grandes) e Iporanga III (sala de arte), vizinhos do Clube Sírio-Libanês, todos demolidos para dar lugar ao atual shopping denominado Pátio Iporanga. Na sequência havia o Cine Roxy (talvez o maior de todos, até hoje em funcionamento e com rede nos shoppings do litoral); e por último o Cine Indaiá, conjugado ao hotel do mesmo nome, próximo ao Colégio São José. Na rua paralela, atrás do Indaiá, tinha o pequeno Cine Alhambra, também só para exibição de películas de arte e voltado para um público seleto. Mesmo com essas diferenças de público e salas, não havia distinção de preços nos ingressos para filmes comerciais e de arte. 

Na década de 1980 Santos também teve a fase dos cine-clubes, porém de uma forma diferente. Como a cidade sempre teve e ainda conservava boa parte das suas salas de cinema, o Cine Clube de Santos funcionava alternadamente em diversos pontos, como espaço locado em horários ociosos ou de baixa frequência. A ideia era do conhecido cinéfilo Maurice Legeard, que exibia seus filmes preferidos sobretudo no Iporanga 3, Alhambra e mais tarde no Cine Indaiá. Marcando o fim de um ciclo da antiga e imensa paixão dos santistas pelo cinema, Maurice faleceu em 1997, quando sua obra cultural circulante e seu gigantesco acervo de milhares de filmes, equipamentos e impressos já permaneciam guadados na sede da famosa Cinemateca de Santos. A cinemateca funcionava inicialmente num sobrado no Gonzaga e anos mais tarde foi incorporada como patrimônio gerido pela Secreria de Cultura da cidade.


Outro destaque dessa década foi o Cine Posto 4, espaço criado para otimizar o uso dos antigos e abandonados postos de salvamento nas praias. O Posto 4 do Gonzaga tornou-se na segunda metade dos anos 80, juntamente com a Concha Acústica do Canal 1, importantes espaços de cultura alternativa na cidade. O nosso grupo musical marcou presença na Concha por duas vezes, nos finais de tarde dos verões santistas: uma com show instrumental e outra acompanhando um cantor brega chamado Tony Greyson, que havia nos procurado em São Vicente para darmos uma força nos arranjos dele. Por incrível que pareça, esse show virou um assunto cult nas faculdades e barzinhos porque o jazzista e complicadíssimo Manvantara tinha dado uma demonstração de humildade e solidariedade ao se apresentar com um artista simples e - como nós- sem nenhuma chance de sucesso na mídia. Quase todas as “canções próprias” desse cantor tinha estrofes com a frase “Meu benzinho...”. Um amigo nosso e fã persistente do Manvantara comentou: “Nunca vi vocês tão sérios e compenetrados”!

 Ainda no Gonzaga, na avenida da praia, existia o Cinema 1 (mais tarde transformado em local de eventos e e depois bufê) e no início da avenida Conselheiro Nébias o Cine Caiçara, que, já em decadência comercial, era utilizado para eventos alternativos. No Caiçara assistimos aos shows de Rita Lee e Tutti Fruti (Babilônia) e depois Hermeto Pascoal e Grupo. Na avenida Pedro Lessa (Macuco) havia mais um cinema e no centro da cidade tinham mais duas ou três salas antigas.

Nesse período, entre 1978 e 1985, foi demolido o antigo Parque Balneário, que deu lugar ao primeiro shopping do Gonzaga e de Santos, mantendo o mesmo nome. No local também foram construídos um novo hotel e dois condomínios de apartamentos de luxo, empreendimentos que, apesar da criticada destruição do incalculável patrimônio histórico e arquitetônico do prédio antigo, deu um novo impulso ao centro comercial do Gonzaga, talvez livrando-o do perigo da decadência.

Mesmo com a mudança de costumes e o crescimento da violência urbana, ainda hoje o Gonzaga é um bairro agitado, talvez porque tenha shoppings, bons estabelecimentos de consumo e sobretudo pela alta valorização e verticalização imobiliária. Porém, não tem o mesmo brilho das antigas décadas, exatamente por causa da liberdade e tanquilidade de circulação que havia nauqlea época, bem como o interesse pelo cinema e diversidade na oferta de fantasias em “rolos”. Era numa época em não havia a possibilidade de ver filmes em casa. Restou um pouco do hábito do passeio, que ainda não foi substituído por nenhuma invenção tecnólogica, por enquanto.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Morte anunciada e mudanças na paisagem no Boa Vista

 
Casa da esquina da rua Messia Assu com a Presidente Wilson, preservada em sua estrutura, porém desfigurada com uma reforma modernizante que alterou praticamente todas as suas características originais.
 

O casarão da avenida Presidente Wilson, esquina com a Rangel Pestana, já foi totalmente demolido.

 

A velha que casa que serviu durante anos como hotel ou motel , na avenida Presidente Wilson com Amador Bueno da Ribeira, desapareceu.

 
A casa da esquina da Floriano Peixoto com Freitas Guimarães também já foi demolida.Também a casa vizinha, que servia de pousada, teve o mesmo destino.